Trepa Muleke – 12

Trepa 12 lambendo as feridas futebolísticas, com time completo, jogando nas onze (os cinco integrantes, mas tudo bem). Revoltos com a reforma trabalhista, como todos deveríamos estar, olhamos para o encontro do G20 em Hamburgo e nos perguntamos o que falta para jogarmos uns molotov por aí. Mas com pauta, pois o Trepa tem agenda popular e igualitária e não se conforma com o assalto às instituições. Falamos de precariado e de uma nova estrutura global de classes, tentando explicar a apatia brasileira frente ao desmonte. E elaboramos planos para o futuro, pois o Trepa além de tudo é estratégico em suas maquinações. Tá certo que vamos nos empolgando, tudo vai ficando mais caótico, mas navegamos na diversidade de vozes e tiramos análises jurídicas precisas e incontestáveis de que o Moro anda viajando e forçando bem a barra aí nas suas condenações políticas.  Cujos efeitos serão sentidos em 2018 e além!, pobres de nós. Grrr. Enquanto ouvimos os esquerdinhas do The Clash e do Primal Scream, crueza punk e malemolência psicodélica para distúrbios urbanos sustentáveis.

 

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*-* Links *-*

 

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/10/economia/1494440370_281151.html

 

https://www.theguardian.com/politics/2015/may/05/bob-gillespie-labour-primal-scream-bobbie-scottish-politics

 

https://www.theguardian.com/music/2013/mar/14/bobby-gillespie-music-primal-scream

 

http://outraspalavras.net/brasil/para-ajudar-a-compreender-a-crise-da-esquerda/

 

http://www.npr.org/sections/thetwo-way/2017/07/08/536159574/g20-hamburg-thousands-demonstrate-on-summits-last-day

 

  1 comment for “Trepa Muleke – 12

  1. 15 de July de 2017 at 11:40

    Ae pessoal,
    me reservo o direito de fazer comentários, já que sou ouvinte assíduo e entusiasta do podcast!!!

    (a bem da verdade todo sábado eu escuto o trepa pra ir na feira comprar umas bananas – nao tem nenhuma relação com nossa linda nação – e fico atualizando minha playlist com as dicas aí da gurizada).

    Buenas, vou me utilizar dessa estratégia pós-moderna de “lugar de fala” para emitir alguns comentários como ex dirigente sindical (mesmo que só por 2 anos, lá nos idos de 2000).

    Sobre alguns pontos específicos:

    1 – O fim do imposto sindical sempre foi defendido só por alguns setores. Mesmo na CUT nao era consenso entre todas as correntes. Acho que era, e ainda é, uma bandeira moralista (do tipo: adere quem quer e se sente representado!) que só é sustentada para quem quer fazer murchar a força desse setor – ou por quem não está vendo o tiro no pé. Obviamente “imposto” parece algo “obrigatório, de cima pra baixo, etc, etc”, mas deixemos esses blablabla pra lá. Também entendo que há uma burocracia, pouco transparente e sem acountabillity, etc, etc… OK! Vamos a nossa análise sociológica da parada: o movimento sindical é o grande propulsor de movimento de massa e de rua, no maior país da AL. Tirando 2013 da discussão – que se colocar aqui vira um texto sem fim – é o sindicalismo que coloca gente na rua, desde a década de 70. E agora, fora a brincadeira do início, nao é só uma opiniao de lugar de fala. O professor Marcelo Kunrath da UFRGS fez uma pesquisa sobre protestos de rua no RS nas últimas cinco décadas [1] e os maiores protagonistas são os sindicatos, mesmo depois da ascensão de Lula no poder – o que afasta também a ideia de que depois de 2004 teria havido um aparelhamento ou arrefecimento dos movimentos sociais por conta de que a esquerda teria “subido aos gabinetes”. Acho que dá pra generalizar a pesquisa para o BR sem prejuízo.

    1.1 – Portanto, acabar com este financiamento (que convenhamos teria que ter mais controle que na maioria das vezes vira uma festa para uma cúpula sindical, etc) vai exatamente minguar com a principal força de protesto no BR. Força aqui são condições materiais (carro de som, microfone, banda de música, advogado pra te tirar da cadeia se for preso, etc). Se vocês já tentaram organizar um protesto devem lembrar o quanto “ajuda” quando algum sindicato resolve se engajar ou só dar uma força. Além disso, e talvez o principal, sindicato tem “gente”. E nao to falando do pão com mortadela que os MBL adoram dizer. Sindicato tem uma rede de pessoas que poucos movimentos tem. Talvez só o movimento estudantil esteja no mesmo nível dos sindicatos (só que eles nunca tem dinheiro pq são os eternos famélicos da graduação e do ensino medio).

    1.2 – Portanto, minha conclusão é que, o fim do imposto sindical, como primeira consequencia é o fim dessa máquina de protestos, que irá atingir diretamente toda a cadeia de movimentos sociais. Se uma parte da esquerda achou que era bom acabar, daqui pouco tempo vai ver que era um erro.

    2 – Falando em movimentos sociais – e essa pauta de “perder a ligação com as bases” – queria muito também que pudessemos nos voltar a pesquisas. Pra nao ficar o charope e ficar colando links, vou só citar o caso do orçamento participativo. Vários autores já estudaram de trocentas formas o OP aqui de POA e o diagnóstico sempre foi meio parecido. Ao longo do tempo as lideranças partidárias foram utilizando aquela estrutura para se catapultar para cargos legislativos ou executivos. A grande questão colocada é: qual é o problema disso? Nenhum. O grande “problema” é que tanto esquerda, quanto direita, também os evangélicos aprenderam a fazer isso (que o PCC não nos leia pq também poderiam aprender fácil). Então eu só acho que o que a gente chama de “conexão com as bases” tá muito ligado a visão de “vanguarda do proletariado” (que eu, politicamente, me filio). Mas isso misturar isso com o jogo eleitoral nao faz muito sentido. Ali operam outras variáveis (que não são justas, nem moralmente aceitáveis, enfim, são do jogo). A eleição de Lula não eram as vanguardas subindo ao poder, era uma coalizão fruto mais escancarado do nosso presidencialismo de coalizão. E mesmo assim vários movimento sociais souberam operar por dentro do Estado para fazer avançar suas pautas (e aqui de novo uso meu lugar de fala -ahhaha- pra falar do Marco Civil, que só foi possível pq muitas pessoas operaram por dentro do Estado)

    2.1 – Aproveitando esse gancho do tópico 2, vou polemizar pra dizer que a estratégia de todo mundo se eleger pra deputado e colocar qualquer um no executivo nao faz menor sentido. Se o Lula falou isso, devia estar completamente doidão (eheheh!). Vou deixar essa polemica aberta, mas justifico dizendo que no BR, o executivo tem um poder de agenda enorme, principalmente por dois motivos institucionais: é o executivo que elabora o orçamento (LOA) e é o executivo que pode editar MPs. Se vcs olharem desde a década de 90, o executivo é o principal autor de pautas legislativas no congresso (com mais de 80% de aprovaçao). O legislativo é, na prática, o “tranca-rua” e por isso que no BR fazer base aliada é interesse do executivo. Sim, o legislativo deveria ser mais e melhor? Obvio, mas a pergunta é “como”? Antes da constituinte de 40, o legislativo era o responsável por elaborar o orçamento. É um modelo viável? O que a esquerda tem a dizer sobre? Pra quebrar essa falsa polemica sobre legislativo progressista temos que discutir sobre esse arranjo institucional: orçamento público.

    2.2 – E, por fim, a última polemica pra pegar fogo? Eu tb gosto do Ciro e votaria nele. Mas não tem jeito, ele precisa ultrapassar 20% e isso só vai acontecer se o Lula não for candidato, então, dependerá todo aqui do resultado da segunda instäncia aqui de POA. Querem que eu prepare os molotov?

    Abração gente!!!!
    Continuem toda semana com o trepa pra divertir minha feira de sábado!

    1 – https://www.academia.edu/14826337/Din%C3%A2micas_da_Contesta%C3%A7%C3%A3o_transforma%C3%A7%C3%B5es_nos_repert%C3%B3rios_de_manifesta%C3%A7%C3%A3o_p%C3%BAblica_de_demandas_coletivas_no_Rio_Grande_do_Sul_-_1970_e_2010

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